Mercado segurador pode crescer até 11% em 2017

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2016 foi um ano muito difícil para a economia e o mercado segurador sentiu os efeitos. Menos do que outras indústrias como automobilística ou indústria de base. Mas a recessão prejudicou o desempenho das seguradoras ao elevar o índice de desemprego e rebaixar o poder de compra dos brasileiros. As vendas registraram em janeiro alta de 10,33%, porém em março despencou, soando um grande alerta no setor com índice de crescimento de 3,63%. Depois do susto, as vendas se recuperaram consistentemente até outubro, que exibe alta de 7,89%, de acordo com dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep). “Apesar das dificuldades, o mercado conseguiu ter resiliência e chegar a taxas semelhantes de 2015”, comemora Marcio Coriolano, presidente da Confederação das Seguradoras (CNseg).

Até outubro, o volume de vendas de seguros e contribuições de previdência e capitalização totalizou R$ 189 bilhões. A expectativa é de encerrar o ano com índice entre 8% a 10%, considerando-se que o último bimestre do ano é, historicamente, o de maior arrecadação para o setor. “Ainda estamos avaliando os números de 2017, mas se a economia realmente reagir a partir do segundo semestre acreditamos que o setor consiga ter um desempenho de um ponto percentual acima do resultado deste ano. Ou seja, a projeção de alta está entre o intervalo de 9% e 11%”, afirmou Coriolano.

O crescimento do setor foi puxado pelo VGBL, um produto de vida com característica de previdência privada, e afetado negativamente pela queda da arrecadação do seguro de carro, que representa 45% do volume de prêmios de seguros gerais. O recuo das vendas de veículos zero quilômetro, responsável por cerca de 80% das apólices da carteira, asfixia o mercado sem novos negócios. Outro aspecto que impacta a carteira é que o preço do seguro de carro tem como base a Tabela Fipe, que teve forte desvalorização. “Esperamos com o auto popular mitigar a crise em automóvel, uma vez que ele tem preço mais acessível e é uma tentativa de manter pessoas que estão com o orçamento apertado como clientes”, explica o presidente da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), João Francisco Borges. Dados apontam que o seguro popular pode trazer ao mercado 20 milhões de veículos entre 5 e 20 anos de uso.

O seguro garantia também está na lista de oportunidades do setor para 2017. O seguro garantia passa a ser obrigatório para obras de grande porte, com cobertura de até 30% do valor total do contrato se aprovado o Projeto de Lei em pauta no Senado. As empresas querem ter regras mais claras para retomar a obra, como isenção de cobertura de débitos trabalhistas em caso de rompimento; não ter obrigação de fiscalizar e auditar a obra; além de eliminação de multa em caso de não retomada de obra. “Se for aprovado o aumento para 30%, o volume de prêmios triplicaria neste carteira. O bid bond, que todos contratam para garantir o preço ofertado na licitação, também traria números mais robustos em termos de arrecadação”, argumenta Borges.

O seguro rural e o residencial também estão entre os mais cotados em termos de crescimento. “O seguro rural tem grande potencial de avanço diante do potencial da área com 61,5 milhões de hectares não segurados. Também tem atraído o interesse de várias seguradoras”, sinalizou o presidente da FenSeg. Já o residencial tem grande potencial no país e deve avançar pois tem coberturas e serviços mais atraentes, o que facilita a vida dos corretores que passam a venderem o produto juntamente com o seguro de carro.

Previdência – A discussão em torno da reforma da previdência é um ponto alto para o segmento de planos privados. Edson Franco, presidente da Federação Nacional de Previdência Aberta (FenaPrevi), ressalta que o Brasil está a beira do abismo no que se refere a previdência social. “A PEC de gastos não se sustenta sem a reforma da previdência. Vai haver um grande debate para a transição, mas caminhamos na direção correta”, opina.

Ao impactar a vida das pessoas, as empresas de previdência se movimentam para atender esse gap entre o que o governo oferece e o que realmente é necessário em reserva financeira para as pessoas viverem com qualidade de vida a partir dos 65 anos. “Temos trabalhado para ofertar produtos com mais opções de investimentos, bem como ainda discutimos a aprovação do VGBL Saúde e do Universal Life, um produto de vida com acumulação de recursos com potencial estimado em 125 milhões de beneficiários”, enumerou.

A previdência apresentou o melhor desempenho dentro das linhas do mercado segurador. A discussão da reforma trouxe a urgência de se ter um plano B diante da reforma. Também inibiu os saques, beneficiando a captação liquida que apresentou um saldo positivo de R$ 42,93 bilhões, alta de 21,20% até outubro deste ano. “Esperamos sustentar esse nível de crescimento e encerrar o ano com índice entre 22% e 24% em relação ao ano passado, que registrou avanço de 26% em relação a 2014″, disse Franco.

Nos primeiros dez meses do ano, os aportes acumularam R$ 86,9 bilhões, evolução de 18,29%. o VGBL recebeu contribuições de R$ 79,8 bilhões no período e o PGBL R$ 6,34 bilhões. Os planos tradicionais de acumulação registraram R$ 694,6 milhões. “Não temos ainda uma previsão para 2017, mas certamente não será pior do que 2016”, afirmou Franco. “Porém, tudo vai depender dos indicadores macroeconômicos, pois a poupança individual depende da população ter emprego e melhora da renda.”

A FenaPrevi participou das discussões sobre a reforma da previdência e as sugestões dadas estão alinhadas com o texto apresentado pelo governo na semana passada. A federação também apresentou uma proposta de reforma estrutural, com modelo de previdência conhecido por ter quatro pilares, mesmo preconizado pelo Banco Mundial.

O primeiro seria assistencial e financiado por impostos, focado nas pessoas que não tiveram acesso ao mercado formal de trabalho. O segundo seria similar ao atual do INSS, de forma compulsória, mas com benefícios menores e financiado com contribuições de indivíduos e empresas. O terceiro pilar seria de contribuições individuais para contas também individuais e administrado pela iniciativa privada via processos de licitação, assim como acontece no Chile. O quarto pilar seria o da previdência voluntária como já acontece hoje nos aportes de fundos de previdência fechada e abertos.

Capitalização – As vendas de títulos de capitalização apresentaram um ligeiro recuo comparado ao ano passado. A receita global do segmento de títulos de capitalização atingiu R$ 15,5 bilhões até setembro, com os resgates, valores que são retornam aos clientes e suas famílias ao fim da vigência dos planos de capitalização, totalizando R$ 14 bilhões, alta de 17,3% em relação ao mesmo período de 2015.

Ainda sem previsão para 2017, Marco Antonio Barros, presidente da FenaCap, acredita que a capitalização, por meio de mecanismos como a carência para resgates e do débito direto em conta-corrente, é um importante instrumento para ajudar a criar o hábito de guardar dinheiro. “A possibilidade de ser sorteado é um estímulo para que economizar passe a ser uma rotina”, afirma. As provisões técnicas – valores acumulados pelos clientes e que serão resgatados ao fim do prazo de vigência dos títulos – superaram os R$ 29 bilhões.

Saúde – O segmento de saúde suplementar sofreu grandes neste ano, com margens apertadas para as empresas e preços que pesam no bolso do consumidor. Solange Beatriz Vasconcelos, presidente da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), ressalta que a deterioração no mercado de trabalho e a queda do rendimento das famílias e empresas fez com que as vendas de planos coletivos empresariais registrasse queda 3,2% em 12 meses, passando de 33,2 milhões em setembro de 2015 para 32,1 milhões em setembro de 2016.

Os desafios da saúde suplementar em 2017 são imensos. “A crise e o desemprego geram redução no orçamento do consumidor, mas a saúde tende a ser mais resiliente porque a pessoa abre mão, primeiro, de outros serviços e mantém a assistência privada, até quando for possível. A crise também pesa para o empregador, já que o plano de saúde onera e passa ser um benefício caro”, explica Solange Beatriz.

Assim como as empresas querem manter seus clientes, os clientes querem manter o plano de saúde. Para isso, será preciso um grande debate com a sociedade, o que envolve governo, clientes, empresas e também os prestadores de serviços como médicos, hospitais e fornecedores. Uma das iniciativas para tentar reduzir o desperdício e as fraudes é ter novos modelos de remuneração e também a co-participação dos segurados no uso dos serviços. “O setor todo está empenhado em novos modelos de remuneração, no qual se prestigia o resultado e não o procedimento. É preciso encontrar um meio de ter planos que caibam no bolso do consumidor. Para isso, todos precisam estar dispostos para a conversa que tem como alvo a sustentabilidade do setor”, defende Solange.

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